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500 anos da Cachaça: Museu traz parte da cultura do País nos rótulos das garrafas

CACHACA
Adriana Guarda – 
Moura vai logo avisando que não é bebedor de cachaça. Se fosse, aliás, teria problemas com a mulher e a filha evangélicas. O que interessa a ele são os rótulos das garrafas, que carregam recortes da cultura brasileira. Começou a coleção por acaso, numa viagem que fez a Brasília em 1986. Se admirou diante da prateleira de um supermercado repleta de aguardentes de várias marcas. Comprou 20 ali e quando desembarcou no Recife já eram 50. O acervo cresceu e a casa foi ficando pequena pra tanta garrafa. Por iniciativa própria, inaugurou o Museu da Cachaça, em Lagoa do Carro (distante 65 km do Recife), em dezembro de 1998.

Um ano após a inauguração do Museu, José Moisés de Moura foi reconhecido como o maior colecionador de cachaça do mundo pelo Guinness Book, com um acervo de 4 mil garrafas, desbancando um concorrente de Minas Gerais. Hoje a coleção alcançou 13.402 unidades, mas o título mundial é de outro mineiro. “Já tenho mais garrafas do que ele, mas vou esperar chegar à casa dos 14 mil, até o final deste ano, para ter uma vantagem e voltar a disputar o título”, diz. A garimpagem é feita em todo o Brasil, adquirindo coleções, fazendo permuta com outros colecionadores e contando com a ajuda de amigos e familiares.

CACHACA-0O espaço do Museu é dividido em curiosidades, catalogação geográfica por Estado, demonstração do processo produtivo, boteco cenográfico e loja/bar para degustação e venda de cachaça e suvenires. Os rótulos revelam momentos da história e da vida brasileira. Nos anos 1970, quando Pelé se consagrou o rei do futebol na Copa do México, um fabricante de cachaça fez um rótulo em homenagem ao jogador. “Mas ele não gostou de ter seu nome vinculado à bebida e entrou com um processo judicial proibindo o uso de sua imagem. Hoje uma garrafa dessas é vendida por R$ 5 mil”, conta.

O Museu também guarda uma garrafa rara da Manjopina, primeira cachaça industrializada no Brasil, engarrafada no Engenho Manjope, em Igarassu, em 1756. “Mas os visitantes gostam mesmo é dos rótulos engraçados, como Amansa Corno, Na Bundinha, Pau do Índio e outras”, diz.

Moura não pensa em se desfazer da coleção, mas quer ver o Museu em melhores condições. Empresário do setor de metalurgia, ele fala da dificuldade para manter o espaço sem nenhum apoio. Lagoa do Carro tem poucos equipamentos turísticos e o Museu poderia ocupar esse espaço se recebesse incentivo. Em 2014, o colecionador assinou convênio com a Prefeitura de Ipojuca para transferir parte do acervo para Porto de Galinhas. “Seria excelente, porque lá a movimentação de turistas é maior. Estava tudo acertado, mas a crise impediu a concretização. Ainda aguardo um retorno da Prefeitura de Ipojuca ou até mesmo um apoio da administração municipal de Lagoa do Carro para continuar divulgando a riqueza da cachaça”, afirma. O colecionador diz que o Museu precisa de uma reforma, orçada em R$ 300 mil.

SERVIÇO: 

O Museu da Cachaça funciona todos os dias, inclusive domingos e feriados, das 9h às 17h. 

Entrada R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)

 

JC ONLINE 

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