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Defesa de ex-prefeito foragido alega que falta de documentação impede apresentação à polícia

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Foragido da Justiça há quatro dias, a defesa do ex-prefeito de Carpina, Mata Norte de Pernambuco, Carlinhos do Moinho diz que o suspeito de corrupção só irá se apresentar à polícia após ter acesso à cópia do mandado de prisão. De acordo com o advogado Ademar Rigueira, que representa o político, só após ter esse documento em mãos é que a defesa irá decidir se o ex-prefeito se apresenta ou não. Moinho é um dos investigados da ‘Operação Fraus’, deflagrada na sexta-feira (9), para prender envolvidos em um esquema de fraude na administração cidade.

“A gente quer saber primeiro o motivo da prisão. Tanto o juiz, quanto o delegado e o Ministério Público não forneceram a cópia do mandado de prisão. Sem esse documento, não podemos nem discutir a legalidade da decisão. Estamos entrando hoje com o pedido de habeas corpus para o Tribunal determine que o juiz entregue a cópia”, pontuou o advogado.

À procura do ex-prefeito, na segunda-feira (12), policiais de Pernambuco foram até ao estado da Paraíba para tentar localizar Moinho. Eles foram em busca do político em uma das suas residências. “Fomos até João Pessoa. Pensamos que ele poderia estar em uma de suas casas lá. Não estava e não apreendemos nada que tivesse relação com a operação”, apontou o delegado responsável pelo caso, Nehemias Falcão.

Durante a ‘Operação ‘Fraus’, o vereador de Carpina Tota Barreto, que é ex-prefeito de Lagoa do Carro, na mesma região, e mais três pessoas foram detidas. Barreto tinha sido alvo de outras ações policiais, como a ‘Operação Caça Fantasmas’, do ano passado.

A Vara Criminal de Carpina expediu também 14 mandados de busca e apreensão e seis mandados de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento. O delegado Nenhemias Falcão informou, na sexta-feira, que a fraude na Prefeitura de Carpina chega a R$ 4 milhões. O esquema, segundo ele, envolvia contratos de locação de veículos para o Executivo municipal.

Falcão disse, ainda, que foram investigados contratos fraudulentos. Caminhões, tratores e automóveis eram locados com a utilização de documentos forjados. Entretanto, nenhum veículo chegou a ser disponibilizado para a prefeitura. A locação era feita a uma empresa de fachada. Os recursos terminavam sendo desviados para os investigados.

De acordo com o delegado Diego Souza, da delegacia de Carpina, as investigações do caso tiveram início quando a Procuradoria de Justiça do município informou à polícia sobre a falsificação de documentos cometida por uma empresa ganhadora de uma licitação da prefeitura. No decorrer das investigações, ficou comprovado que os documentos foram falsificados e que a empresa emitia notas fiscais falsas.

Latim

A ‘Operação Fraus’ teve como objetivo investigar fraude em licitação, falsidade ideológica, peculato, corrupção e associações criminosa. Ela é a 20ª ação de repressão qualificada deflagrada este ano pela Polícia Civil. O nome vem do latim e significa fraude.

Participaram da operação 102 Policiais Civis, entre delegados, agentes e escrivães. As ações ocorreram no Recife, Carpina, Lagoa do Carro, Lagoa de Itaenga. Todos os presos e materiais apreendidos foram levados para Delegacia de Limoeiro, no Agreste.

Antônio Neto, advogado de Barreto, afirmou que aguarda mais esclarecimentos para se manifestar sobre o assunto.

A conselheira do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE) Teresa Duere determinou o imediato envio de documentos e provas aos delegados especializados e aos membros do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Essa documentação foi obtida por meio de fiscalização em órgãos públicos de Carpina e região, realizada pela equipe de auditores da Inspetoria Regional Metropolitana Norte, com a colaboração de outros setores do tribunal.

*G1/PE

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