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ENTREVISTA: Caminhos do empreendedorismo

André Felipe Rodrigues estimula jovens empresários a investirem nos negócios

Por Sivaldo Venerando

 

Abrir uma empresa no Brasil requer muito preparo e esforço. A começar pela burocracia e pela falta de incentivo fiscal, os caminhos para montar o próprio negócio desestimulam os potenciais investidores.

O desafio passa por um planejamento estratégico, finanças estruturadas e conhecimento do ramo em que se vai entrar. Em 1996, um ano após o surgimento da internet, essa era a tarefa do jovem investidor André Felipe Rodrigues, proprietário da Piernet, o mais completo provedor de internet da Mata Norte, com sede em Carpina.

André comenta a qualidade dos serviços de sua empresa, o marco civil da internet, e estimula os novos empreendedores a se manterem firmes nos seus projetos. A conversa também girou em torno do crescimento do número de usuários, da política empresarial da Piernet e da tarefa do empregador em liderar, orientar, investir e lidar com as questões burocráticas.

 

Primeiros passos

“A internet era um negócio novo, despertava interesse, e eu vi ali uma oportunidade de trazer isso para o interior, porque a gente para conectar internet era via linha telefônica. Você tinha que fazer uma ligação para Recife com um custo muito alto. Já era previsto que as pessoas precisariam muito desse serviço. Trazer para o interior foi importante, porque as coisas só chegavam mais rápido na capital”.

 

Necessidade de se conectar

“O crescimento de pessoas conectadas tem sido grande. Mas falta acontecer muita coisa. Eu não previa que fosse se tornar um serviço de extrema necessidade como energia e água. Voltando à época de quando começou, vemos que essa novidade não estava nos livros, nem havia outro material falando a respeito. Portando, não se podia espelhar em outros negócios. Quem entrasse nessa área tinha que descobrir dia a dia como fazer aquilo e como montar. Comecei sem experiência, procurei consultoria da Universidade Federal de Pernambuco para me acompanhar por um tempo. Foi muito desafiador por ser no interior. Trabalhar com telecomunicações, que na época era monopolizada no Estado através da antiga Telpe, não foi fácil. Foi um aprendizado. Na época era impossível prever os avanços. Agora já se sabe que daqui a um tempo geladeira, microondas e outros aparelhos terão de estar conectados à internet. Hoje os grandes grupos de TV estão migrando para a versão online porque a imagem, ao invés de vir via satélite, vem pela internet e a um custo menor. Então vídeo, som, imagem, controle de acesso, tudo fica com a internet”.

 

Marco civil

“O marco civil já está posto. Estabelece regras para serem seguidas. Isso foi um avanço muito grande para o uso da internet aqui no Brasil. Os EUA terminaram com essa neutralidade da rede do modo deles, e aqui não. Aqui há uma força muito grande para que as operadoras, sejam elas provedores regionais ou grandes operadores, não se metam na conexão do usuário. Então, é o usuário quem vai escolher o quê, e como ele quer trafegar. A operadora não pode chegar para o usuário e dizer: ‘olhe, meu amigo, se você quiser acessar o whatsapp eu te dou de graça, mas se você quiser acessar o Jornal Nacional ou qualquer vídeo, ou Netflix, vai ter que me pagar mais caro’. Dessa forma, ela estaria entrando na casa do usuário, vendo o que ela trafega e determinando o que o usuário vai acessar ou não. A internet cresceu e está no formato atual, exatamente por não ter um único ponto de conexão. Então, ela surgiu como uma rede e com vários pontos interligados, mas nenhum ponto sendo o principal que, se caísse, caía toda internet. Além disso, tem característica de livre serviço. Você não precisa controlar o que o usuário pode ou não. Por isso, ela ampliou a quantidade de serviço para o próprio usuário escolher o que quer”.

 

A proposta da Piernet

“Nossa missão é cada dia entrar na casa de mais clientes e com melhor qualidade. De quatro anos para cá, estamos investindo muito forte em fibra ótica, porque essa é a nossa bandeira: oferecer a melhor qualidade de conexão, e é difícil para um provedor regional bancar todo esse investimento sem nenhuma ajuda governamental ou de bancos. Somos pioneiros e estamos em constante inovação, em busca de novas tecnologias, velocidade, fechando parcerias com empresas que nos facilitem acesso aos conteúdos por parte dos usuários. Temos servidor da Netflix, do Google, do Facebook; isso tudo para proporcionar aos nossos clientes uma maior velocidade nos acessos, vídeos em HD. Inovamos e oferecemos o melhor aos clientes”.

 

Empreendedorismo

“Para empreender, primeiro é preciso ser resiliente. Hoje em dia, é muito difícil ser empreendedor aqui no Brasil, devido à carga tributária, legislação que muda e o empresário ter que estar informado sobre a parte jurídica e contábil. Gerir bem o negócio, incluindo a questão financeira, é difícil, mas é gratificante também. Você encontra várias dificuldades. Todos os dias tem que lidar com elas, mas faz parte até do aprendizado pessoal. É não desistir. Se a pessoa acredita em alguma ideia, pode começar como empreendedor (foi assim que comecei, apostando numa ideia que era nova, ninguém usava) e, com o tempo, tem que achar a chave para se tornar empresário. Aí precisa de uma capacitação, de novas visões. Não dá para ser somente empreendedor. Precisa ter os dois sentidos: de empreender – você não pode perder aquela chama que tem dentro de você para ir em busca do sonho -, mas ter a parte racional de ser empresário e tocar o seu negócio. Não é a toa que estamos há 21 anos, e crescendo. Todos os anos estamos em crescimento por não desistir do sonho, acreditar naquilo que a gente quer, que é trazer a melhor qualidade para o nosso cliente.

 

Negócios X Estado

“Como no Brasil não se estimula ao empreendedorismo, dificulta-se o investimento. Teríamos que ensinar as crianças a serem futuros empreendedores desde a escola a buscar as coisas para não ficar dependente do Estado. O papel do Estado deve ser de ajudar o empreendedor com carga tributária menor, incentivando, dando cursos, abrindo financiamentos. Infelizmente aqui no Brasil não se incentiva muito o empreendedor e até se cria um estereótipo de que o empresário é vilão, porque explora o funcionário. Isso em outros países não se vê. Eles incentivam o empreendedor porque sabem que ele vai gerar receita para o País. Mas há solução. Se você começa a ensinar a criança que ela pode empreender, ser empresário, aí essa cultura de que o patrão é vilão e o empregado é a vítima passa a não existir, porque você vai ensinando como se pode empreender dentro das leis, do respeito aos funcionários, de uma ética que tem que se fazer, e aí essa vitimização acaba não existindo, porque você já tem uma informação lá atrás”.

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